Melhora com o tempo. Ou não.

Passei um bom tempo sem atualizar o blog. Ficava sempre pensado no que postar, queria algo que fosse muito interessante. Então, me perguntei: o que é realmente interessante pra quem me lê?  – Não sei.  Apesar de conhecer boa parte das pessoas que me leem…

Percebi que tudo tem seu tempo. Relaxei. Mas relaxei tanto que cheguei ao ponto de achar que não postaria mais nada até que a inspiração viesse e “bang!” um post sensacional simplesmente fluiria pelos meus dedos quase como por encanto.

Aí, pensei mais um pouco, “Tudo tem seu tempo”. Me dei conta de outra coisa:  As vezes a inspiração vem do nada, mas a prática ajuda bastante. Escrever requer prática. E escrever e uma coisa que eu não tenho feito muito nos últimos tempos. Tempo, aliás, é uma coisa que tenho tido muito pouco. Será?

Na verdade, tempo tem. O que falta mesmo é discernimento pra saber administrá-lo. O grande mestre Einstein disse certa vez “Falta de tempo é desculpa daqueles perdem tempo por falta de métodos”, alguém discorda?

Pois é. Percebi que meu tempo está mal distribuído, mal organizado. Está mal.

Me peguei viciado a pensar em 140 caracteres. Pensei, pensei, e cada vez que pensava o número de caracteres na minha mente crescia, cresceu. Vi que, está não sou uma maravilha no meu Twitter, mas sei o que postar (eu acho), e eu só “aprendi” porque pratiquei. Mas confesso, eu fugi do meu blog por algum tempo.

Fugi, sim. É o que na psicologia psicanalítica chamamos de resistência, ou seja,  uma maneira inconsciente ou consciente de defesa da qual um paciente, no setting terapêutico, se utiliza para não ter que lidar com situações que se apresentam desconfortáveis.

Mas resistência a que situação?  – Eu me perguntei. E me respondi: a vocês, pessoas que me leem.

Explico. Recebi alguns elogios pelos primeiros posts. Fizeram com que eu me sentisse muito bem com o que foi escrito. Mas aí, veio aquele receio de não escrever mais nada que pudesse ser tão interessante quanto;  receio de escrever um texto longo e aborrecido. Chato, por assim dizer. E eu, recém chegado nessa vida de blog, cair no descrédito. Pensei comigo: e que créditos eu tenho?  – Eu não soube responder.

Do nada, resolvi escrever. Escrever justamente sobre esse meu receio, sobre a minha falta de tempo, sobre a falta de inspiração, sobre coisas que demandam tempo, requerem prática. (já vi essa frase em algum lugar…)

Então, mais uma vez, vou eu, vencendo esse pequenos fantasminhas safados que tem que ser vencido e aceitando os mesmos safadinhos que tem que ser aceitos, e acreditando que posso contar com o apoio de vocês, pessoas que se dão ao trabalho de me ler, e se identificam comigo em algum momento. Ou não, mas mesmo assim leem e até gostam. (olha que coisa!)

Enfim. Não prometo postar com mais frequência, mas posso dizer que não vou demorar mais tanto tempo para “tirar a teia de aranha” daqui. Vou tentar administrar meu tempo em busca de praticar a minha criatividade. Rá!

Sinto falta da Karla, minha maior encorajadora. Espero que ela leia.

 

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Eu lhe sou muito obrigado

Há uns meses atrás, eu quebrei o fêmur direito num acidente de moto. Fui atropelado numa madrugada, por um motorista que estava, provavelmente, bêbado ou drogado, segundo o policial que registrou a ocorrência no local do acidente. O mesmo fugiu, sem prestar qualquer socorro. Depois disso passei 17 dias internado, fiz uma cirurgia para fixar uma placa de mais ou menos 40cm, e mais 5 pinos dentro da minha coxa direita junto ao meu fêmur para que houvesse, então, a calcificação. Fiquei as primeiras semanas sem mexer a perna, não por não dever, mas por não conseguir mesmo. Sensação angustiante de não poder andar, não mover, não ter controle e nem autonomia para fazer coisas básicas, como tomar banho.

Um mês após a 1ª cirurgia uma pequena complicação: um dos pinos havia saído do lugar.

Volto eu para o hospital, para nova cirurgia. Mais uma semana internado. Passo, então pela 2ª cirurgia. E dessa vez, mais um pino é colocado para fixar a placa ao fêmur, agora são 6. No dia seguinte volto para casa.

Depois do 1º mês e a experiência adquirida nos dias após a 1ª cirurgia, consigo me adaptar a minha condição sem maiores dificuldades. Mais um mês sem sair da cama, praticamente, apenas para tomar banho. Depois outro mês “andando” somente com cadeira de rodas, e um terceiro mês apenas de muletas para ir e vir.

São meses me recuperando, tendo sessões de fisioterapia em casa, graças a ajuda e boa vontade de uma amiga fisioterapeuta. Dores, dores e mais dores.

Mas como nem tudo é dor, tive alegrias também, muitas visitas,  festinha surpresa (pois sofri o acidente no mês do meu aniversário), saídas “para ver o mundo”, ainda que sendo carregado, abusando, literalmente, da força que os amigos e família já estavam dando.

Como o médico tinha dito, três meses após da 2ª cirurgia meu fêmur estava recuperado, e a essa altura eu já tinha largado cadeira de rodas e muletas, graças a Deus.

Cheguei onde queria: ser grato.

Nunca fui de reclamar da minha vida, mas depois de tudo isso, comecei a dar um valor ainda maior às coisas as quais já sou grato na minha vida: família, amigos, Deus!

Não precisamos usar motivos filosóficos, epistemológicos ou extraordinários para justificar nossa gratidão. Basta que sejamos gratos pelo que temos, e menos exigentes ou saudosos acerca do que não temos. Não estou dizendo que depois disso eu não reclamo de mais nada na vida, não é isso. Mas sou apreciador das maravilhas que nos são dadas todos os dias e das possibilidades que estão ali, ao nosso alcance, mas deixamos passar por gastar tempo e energia reclamando do que nos falta.

Hoje, estou aqui, com a perna em perfeito estado, na medida do possível. Andando, não corro ainda, mas já estou bem recuperado e feliz por estar vivo e com a minha perna no lugar dela.

Então, se você tem uma família que te ama, amigos de verdade, SAÚDE e fé, todo o resto pode ser acrescentado. Seja grato pelo q se tem, pelo q pode ainda ser conquistado, e até mesmo pelo que você ainda não conquistou. Tudo tem uma hora certa pra acontecer. Mas este é assunto pra outro post…

 

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Passas

Quem nunca ouviu aquela piada que é mais sem graça que a modelo magrela : Tudo na vida passa. Até uva-passa.

Pois é. E o pior: é a mais pura verdade.

A uva desidrata, murcha, fica engelhada. O gosto se modifica, mas continua doce. Exatamente o mesmo processo que passamos na vida. E no final, assim como acontece com a uva, tudo torna-se somente uma grande piada (sem graça).

 

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Dias assim…

Dias assim…

Chuva. Chuva é aquele fenômeno natural que tem várias finalidades: limpar o ar, amenizar a temperatura, irrigar os vegetais, encher os rios, etc. Mas além de fazer bem a natureza, a chuva também serve para que alguns de nós fiquemos um tanto quanto mais vulneráveis.

Explico. Normalmente, a chuva consegue nos deixar pensativos, quietos, introspectivos. Desperta uns desejos, e acalma outros tantos.

Dias de chuva nos compensam emocionalmente, pela melancolia que nos é proposta/imposta. Dias frios, escuros, sombrios que refletem alguns dos sentimentos que cultivamos, e quase sempre não assumimos. Por isso a sensação de um conforto, um aconchego, quase uma alegria estranha pela “tristeza do dia”, sendo até paradoxal isso.

Mas tudo não finda em melancolia. Iniciam, então, os pensamentos e desejos de estar na companhia de alguém, e quem tem alguém aproveita para estar junto. O que não quer dizer que seja carência, nem que não seja. Mas não precisa ser necessariamente uma outra pessoa. Alguns conformam-se com uma atenção a animais de estimação, ou preenchem essa lacuna afetiva com alimentos, e comem, comem, comem… E assim a homeostase é refeita, ou seja, o equilíbrio psíquico é renovado.

Dentre as sensações mais comuns que a chuva nos traz, a preguiça é a primeira a se manifestar. Ainda mais nós, amazonenses, que quando vemos o tempo fechar, já nos encolhemos em nosso casulos caseiros, feitos com um edredom e um moletom velho com odor de mofo pela falta de uso, mas que se torna a roupa mais gostosa do mundo naquele momento.

E o desejo infantil que é sempre desperto nos dias de chuva? O desejo de tomar banho nela! Sair a rua, correr molhando-se com aquela água que cai vinda do céu, pura e simplesmente. A sensação é sempre a mais piegas de todas, a de estar lavando a alma. Piegas, porém genuína.

Um filme, “um bom lugar pra ler um livro”… Qualquer coisa vira distração para aquele barulho que milhares de gotas sobre os telhados provoca, se torna apenas um ruído branco, inaudível, que só percebemos que realmente esteve lá depois que cessa. E tudo fica molhado, encharcado. Uma beleza!

Como disse sabiamente Fernando Pessoa “um dia de chuva é tão belo quanto um dia de sol. Ambos existem. Cada um como é.” E quem sou eu para discordar dele…

 

 

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Mulher é coisa linda de Deus

Com esse título as mulheres vão pensar “mais um texto machista falando de mulher” e os homens vão… Acho que os homens nem vão ler mesmo.

Mas vamos lá: Eu tenho convivido com mulheres a minha vida toda. Não como todo mundo que tem mulheres na vida, uma ou outra mulher. Eu convivo com várias mulheres, exceto em casa que só tem minha mãe mesmo.

Na classe do curso de Psicologia que faço, são mais de 30 mulheres em relação a 5 homens. No meu trabalho, são 9 mulheres na equipe, e apenas o exemplar masculino que vos escreve.

O fato que me motivou a escrever este post, foi que hoje fui fiscal em uma prova, numa sala onde só haviam mulheres, todas chamadas Francisca. Aliás, através destas “Franciscas” que eu pude observar que elas, de certa forma, ali representavam boa parte das mulheres da minha vida: das mais animadas as mais tímidas. Experientes, aprendizes na vida, gordas, magras, agitadas, calmas, lindas e lindas!

E percebi que mulher é coisa linda de Deus. A delicadeza, o olhar, os gestos, o cheiro. Enfim, tudo. Elas são mais educadas, mais gentis, mais atentas, mais pacientes, mais um monte de coisas. E está tudo na natureza delas. Representam, no fundo, a figura materna.

Elas exalam amor. Umas com mais outras com menos feminilidade. Às vezes, agem como homens, e não estou falando de lesbianismo, não, mas são provedoras, a lei. E isso não é um comentário machista, ou não, é um comentário psicanalítico, que defende que a mãe para a criança representa o amor e o pai representa a autoridade. E Jaques Lacan, incrível psicanalista, dizia que esses elementos na infância são fundamentais, mas independem de gênero: o que é necessário é que alguém represente esse papel. Mas, cá pra nós: os homens, jamais seremos tão bons em doar amor como as mulheres. E em receber com delicadeza como elas o fazem!

Mulheres são seres sensacionais e especiais em nossas vidas. Atraem os olhares e a admiração de nós, homens, sempre. Pois, por mais que algumas, infelizmente, não enxerguem em si mesmas ou, que alguns homens insistam em não assumir isto, sim, nós admiramos muito vocês, mulheres.

Não é este um texto de dia das mulheres. É só a minha leve impressão, que se baseia no pouco que aprendi e observei em meus dias com as mulheres, ou seja, em todos os dias da minha vida. Cercado por elas, e aprendendo com elas.

 

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Criando uma identidade

Blog sobre impressões psicológicas somadas a subjetividade de alguém que tenta lidar com tudo o que é oferecido ou imposto pela vida. Uma coisa de cada vez. Cada uma a seu modo. Mas, no fundo, tudo ao mesmo tempo.

Há algum tempo vinha querendo criar um blog. Então, começou a dúvida que creio ser inerente a quem tem o mesmo pensamento: Sobre o que escrever?

Alguém então me sugere que eu escreva sobre considerações psicológicas. Achei sensacional a idéia, apesar de ainda ter certas limitações no domínio de qualquer técnica psicológica ou linha de pensamento em psicologia. Tive então o insight de falar, sim, sobre impressões psicológicas, porém somadas a minha subjetividade.. Ou seja, o meu cotidiano e o de muitas pessoas, que se cruzam ou não, em experiências em comum.

Certo dia ouvi, em uma aula de fenomenologia (que é uma linha de pensamento de psicologia muito interessante, diga-se de passagem), que “o sofrimento é inerente a condição humana, mas o saber lidar com esse sofrimento, aceitando-o e aprendendo com ele é condição de cada indivíduo, e não do sujeito.”

Minha vida é movida a humor, bom humor. Eu lido com a maioria das coisas da minha vida com humor. O que considero dubiamente, em mim, um defeito e ao mesmo uma qualidade. Explico o porquê: Bom humor alivia as tensões, alegra o ambiente, distrai as pessoas e é gratificante quando você desperta o sorriso alheio. Mas se o hábito de ser bem humorado se tornar uma condição para que você seja você mesmo para os outros, independente de como você esteja se sentindo, deixa de ter o objetivo que tinha antes e se torna um peso, que as vezes se torna insuportável de carregar.

Aí entra o tônico psicológico, um plus para que aprendamos a discernir e estabelecer os limites, julgando que, de antemão, saibamos que há um limite respeitoso a ser imposto.

Esse é meu primeiro post e tá meio sério, mas sou menos sério que isso. Bem menos. Deixo vocês à vontade para interagirem comigo e refletirem sobre temas diversos. Sugestões também são bem vindas. E que seja uma ótima experiência de aprendizado e troca de idéias por aqui. Estou disposto a conhecer cada vez mais sobre as pessoas e sobre como posso ajudar também.



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